Quero comemorar!

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Hoje comemora-se dia do trabalhador. E estou aqui a refletir… a pensar o que comemorar…

Sou professora de educação infantil há mais de 20 anos e atualmente, como professora de professores me preocupa, nos cursos e palestras, não iludir colegas com manuais e modelos perfeitos, por isso, invisto sempre na formação teórica, política e histórica da educação. Nossa profissão é de luta.

É preciso compreender, estudar, testar, viver a profissão em todas as suas vertentes e saber que nossas conquistas serão sempre frutos de lutas coletivas, árduas e persistentes.

A desvalorização docente é um produto de uma sociedade desigual. Basta observar a diferenciação salarial entre a educação infantil e outros níveis de ensino. E mais, professores de creches recebem muito menos que professores que atuam em instituições privadas. Como explicar um professor da infância ser menos valorizado que um professor do ensino fundamental, por exemplo? A questão salarial é apenas um aspecto desse teorema complexo que envolve a valorização docente. A solução não é simples. Mas, eu acredito, é possível.

Conforme Paulo Freire, se a educação não transforma a sociedade, atua sobre os que podem transformá-la e, às vezes, contraditoriamente, pela sua própria situação de desvalorização. As lutas, as denúncias formam e forjam caminhos de esperança.

Precisamos sim, de acordo com a professora Andrea Caldas, cada vez mais e mais de professores, sem a ilusão do caminho fácil, mas com a certeza dos apoios solidários e coletivos. Sem eles, o País paralisa e se cristaliza na acomodação. Por isso, insisto em espaços físicos e virtuais para refletirmos, para construirmos novas ideias e para socializar nossas práticas. Invisto na qualificação docente, no acesso ao conhecimento e acredito em melhores condições de trabalho, em todos os sentidos.

Lutar pela educação plena é necessariamente lutar pela transformação da sociedade. Não há atalhos. O dia em que trabalhadores da educação forem mais valorizados, em todos os sentidos, será o dia em que estaremos a inaugurar uma nova sociedade.

Eu estou pronta e muito preparada para não abandonar a luta. Eu quero, um dia, comemorar. Até lá, muita formação faz-se necessária…