Basta uma pedrinha no bolso

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A reflexão sobre as relações das crianças com a natureza e a escola tem me motivado a resgatar memórias docentes e recuperar práticas que passei a colocar em discussão em alguns grupos de formação de professores. Uma delas é a criação de espaços privilegiados, em sala, para observações, descobertas e aprendizagens.

Sair da escola com a turma toda provoca mudanças cognitivas que são imensuráveis. As crianças buscam compreender o mundo, voltam cheias de perguntas, buscam respostas, novas interações, elaboram hipóteses e, nessas tentativas, há sempre uma folha, uma pedrinha, um pedaço de galho que volta para a escola, nas mãos ou dentro de um bolso. Para mim, era esse o ponto de partida dos laboratórios, caixas, cantos ou ilhas de natureza que eu construía com os alunos, em sala de aula. Bastava uma pedrinha no bolso e… pronto!

E assim, nesses espaços (que tinham lupas, binóculos, redes, potinhos, aquários, plantas e muitos outros itens necessários para fazer pesquisas), tivemos a oportunidade de ver a vida acontecer nos terrários, acompanhar metamorfoses de borboletas em insetários, trabalhar com plantio de sementes, herbários, fazer coleção de pedras, de flores e folhas… Todos os dias, ao chegar à sala, era para lá que as crianças corriam, antes mesmo de me dar aquele abraço de bom dia!

O fato de ter um “canto” para elaborar conceitos, realizar pesquisas e observar de outras formas fez muita diferença na minha prática pedagógica e na aprendizagem das crianças. Entendo que essa prática não exclui as investidas em ambientes naturais, ao contrário, emerge exatamente dessas experiências. Também por isso incentivo professores na construção desses “laboratórios” com os alunos, pois, dessa maneira, a experimentação não se perde e pode-se dar continuidade em sala de aula, aos processos iniciados fora dela.

Construir práticas pedagógicas em espaços contextualizados na escola possibilita vivenciar experiências significativas e potencializar aprendizagens, principalmente através da observação, dos registros e fazeres. É sabido que, para compreender o mundo, precisamos experimentá-lo. E, muitas vezes, (re)criá-lo.

Texto originalmente publicado em www.http://redeprofessorestransformadores.strikingly.com